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19 de jun. de 2012

Arquidiocese de natal cria um Vicariato social e incentiva a Agroecologia

O novo Arcebispo de Natal criou uma instância arquidiocesana denominada VICARIATO EPISCOPAL PARA AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS -VEIS com o objetivo de "articular, mobilizar e gerar comunhão entre as diversas  pastorais, movimentos, serviços e instituições arquidiocesanas, bem como buscar parcerias com as organizações da sociedade civil e governamentais, subsidiando e colaborando com a construção da cidadania e melhores condições de vida, à luz da Doutrina Social Igreja ,  da opção evangélica pelos pobres e em sintonia com as diretrizes do Setor Social da CNBB. 

O VEIS como espaço de mobilização, articulação e comunhão integrado numa dimensão sócio transformadora,  constitue ações  voltadas para os diferentes grupos ou facetas que revelam a exclusão social, tanto na realidade do campo, da cidade, no mundo do trabalho e na mobilidade humana,  com caráter de representar uma referência para toda a ação social e evangelizadora da Igreja. O VEIS é, assim um organismo prestador de assessoria, elaborando subsídios e reflexão teórica, fomentador da busca de recursos humanos e financeiros para favorecer este um espaço de articulação entre os diversos atores sociais da Arquidiocese, desenvolvendo ações específicas no campo sócio político e na construção de parcerias com os movimentos sociais, organizações não governamentais, setor público e privado abertos ao desenvolvimento social e à promoção da vida".

Nesta perspectiva, o VEIS está articulando as suas forças para um trabalho de geração de emprego e renda, através de um dos seus organismos - o SAR(Serviço de Assistência Rural - entidade existente há mais de 60 anos e com uma larga experiência no campo), que já está buscando parceria com outras instituições da sociedade civil e governamentais para implantar em comunidades rurais carentes,  onde trabalha, a tecnologia social PAIS.

Parabéns a Arquidiocese de Natal pelo incentivo ao trabalho junto aos mais carentes e, sobretudo, por querer se somar às centenas de experiências espalhadas por este país que vêm implantando e disseminando com sucesso a tecnologia social PAIS. 

4 de jun. de 2012

Por um Brasil agroecológico, livre de transgênicos e agrotóxicos (Boletim AS-PTA 587)

Caros Amigos,
Aconteceu nesta semana, no município de Lagoa Seca, na Paraíba, o Seminário “Pesquisa e Política de Sementes no Semiárido”. A grande novidade desse encontro, que reuniu pesquisadores de diversas instituições, agricultores, representantes de movimentos sociais e ONGs, professores, estudantes e representantes de órgãos governamentais, foi a apresentação de resultados de pesquisa científica a respeito da qualidade das sementes crioulas, carinhosamente chamadas no estado de “sementes da paixão”.
Num projeto de pesquisa conduzido em parceria pela Embrapa Tabuleiros Costeiros e a Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB), com o apoio da UFPB (Campus Bananeiras) e o financiamento do CNPq, foram realizados, ao longo de três anos, diversos ensaios de competição entre três variedades de sementes “melhoradas” e outras cerca de 20 variedades de sementes crioulas escolhidas pelos agricultores.
Nos anos 2009 e 2010 fizeram parte dos experimentos a variedade da Embrapa chamada “catingueiro” que, por ter ciclo curto, que se completa durante o curto período de chuvas, é indicada para o plantio na região semiárida e era então a única variedade de milho distribuída aos agricultores do Nordeste pelo Programa Nacional de Sementes para a Agricultura Familiar, conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com a Embrapa; e também a variedade “AG1051”, da empresa Agroceres (que pertence à Monsanto), que é bastante plantada na Paraíba para ser comercializada para consumo humano direto como milho verde (especialmente na época das festas de São João). No ano 2011 o programa do MDA passou a distribuir também a variedade “sertanejo”, da Embrapa, que foi então também incluída nos ensaios.
Os campos para os testes foram implantados em comunidades localizadas na região da Borborema, que está na zona de transição entre a mata atlântica e a caatinga, e na região do Cariri, em plena caatinga e clima semiárido acentuado.
Os plantios foram conduzidos em manejo agroecológico e tiveram a participação dos agricultores em todas as etapas, desde a semeadura até a avaliação dos resultados. Durante os experimentos, as sementes foram marcadas por códigos, de modo que os agricultores não podiam identificá-las.
Resultados mostraram  melhor desempenho das variedades crioulas em todos os campos de teste
O ano de 2009 foi um ano de precipitação média para os padrões da região. O ano de 2010 foi um ano de pouca chuva, e o ano de 2011 teve chuvas bem acima da média – um ano bastante atípico. Nos anos 2009 e 2010, ou seja, o ano de chuva regular e o ano seco, as variedades melhoradas tiveram desempenho muito abaixo das variedades crioulas. No ano 2011, aquele atípico de muita chuva, a variedade AG1051 teve bom desempenho, ultrapassando algumas variedades crioulas (e ficando pouco abaixo de outras).
Esses dados mostram, claramente, a superioridade das sementes crioulas em relação às sementes melhoradas em centros de pesquisa nas condições de solo, clima e manejo da agricultura familiar do semiárido paraibano. As sementes melhoradas podem produzir bem, desde que recebam água e fertilizantes – o que não faz parte da realidade nessa região. Como se vê, não é em vão o cuidado (e a paixão) com que esses agricultores cultivam, melhoram e conservam suas sementes.
Outro dado extremamente interessante é o quanto as sementes da paixão são adaptadas às suas regiões de origem: as sementes da Borborema apresentaram desempenho excelente nos campos experimentais implantados na Borborema, mas desempenho médio nos campos localizados no Cariri. E vice-versa: as sementes do Cariri tiveram excelente desempenho no Cariri, mas médio desempenho na Borborema.
Essa constatação, agora validada com todo o rigor que a ciência exige, apenas confirma o que os agricultores sempre souberam e defenderam: suas sementes locais é que são adaptadas às suas regiões e condições de manejo – afinal, estão há décadas sendo permanentemente adaptadas – e qualquer estratégia de promoção da agricultura familiar que não leve isso em conta estará, no mínimo, desperdiçando o melhor material genético disponível.
Historicamente, o campo acadêmico-científico e os gestores públicos afirmaram que as sementes crioulas não eram sementes, e sim “grãos”, negando sua qualidade e viabilidade e assim justificando as estratégias de utilização de sementes melhoradas em todos os seus programas. Diante dos resultados das pesquisas com a Embrapa, os agricultores presentes ao seminário de Lagoa Seca foram enfáticos ao afirmar: “nunca mais aceitaremos que nossas sementes sejam chamadas de grãos”.
Vale ainda observar que, para os agricultores, não é somente a produtividade que importa em uma lavoura de milho. A palha é importante para a alimentação dos animais, a planta alta e de colmo grosso serve de sustentação para a fava que ali cresce em consórcio, os grãos pequenos são preferidos para a alimentação das aves do quintal, o sabugo fino é preferido por muitas mulheres por ser mais fácil de ralar e preparar alimentos, bem como preferências por sabor variam de família para família, comunidade para comunidade. Ou seja, o enorme leque de opções que representa a agrobiodiversidade manejada e conservada pelos agricultores familiares permite uma série de usos e o atendimento de uma diversidade de demandas que não podem ser supridas por uma única variedade – por mais que ela seja eficiente na produção de grãos. A verdade é que a distribuição massiva de uma única variedade gera erosão genética e leva à perda dessa riqueza presente nas comunidades rurais.
Nos experimentos realizados em parceria com a Embrapa, essa perspectiva foi considerada e foram analisados diversos critérios na comparação entre as variedades de milho: produtividade; espessura da planta; quantidade de palha; cor, peso e tamanho da semente; resistência a pragas; resistência à seca, entre outros. Como já dito, as sementes crioulas locais proporcionaram sempre os melhores resultados.
Qualidade reconhecida por políticas públicas
Um exemplo de política pública que tem valorizado a agrobiodiversidade manejada pelos agricultores e as suas estratégias coletivas de gestão e conservação dos recursos genéticos, como os bancos de sementes comunitários (BSCs), é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerido pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento / MAPA). Desde 2006 o PAA tem realizado ações de compra de sementes crioulas dos agricultores familiares e doação simultânea das sementes para os BSCs da mesma região – tanto para distribuição, como para formação de estoque em anos de crise. Está aí uma política que de fato fortalece a construção de autonomia dos agricultores.
Esperamos que os novos resultados científicos obtidos por uma instituição de tamanho prestígio possam orientar mudanças profundas não só no Programa Nacional de Sementes, como em todas as políticas públicas destinadas ao fortalecimento da agricultura familiar no Brasil.

21 de mai. de 2012

Proposta Agroecológica

A proposta agroecológica defende técnicas e formas de cultivo em harmonia com o meio ambiente. Com uma abordagem consciente na dinâmica da natureza, a agroecologia permite a recuperação da fertilidade dos solos sem o uso de fertilizantes minerais, assim como o cultivo sem o uso de agrotóxicos. A agroecologia permite uma atividade economicamente viável mesmo que ecologicamente sustentável.


Veja também:


  • Agricultura Orgânica
  • Compostagem
  • Controle biológico
  • Moimento orgânico
  • Pecuária
  • Princípios da Argicultura Orgânica
Veja:
  • Qualidade de Vida
  • Razões para o consumo de produtos orgânicos
  • Rotação de culturas
  • Proposta agroecológica