O Brasil ainda é um dos países onde a concentração de terra e de renda é por demais altíssima.
A estrutura fundiária concentrada nas mãos de poucos, a ausência de políticas agrícolas e agrária, as tecnologias inadequadas e inacessíveis, bem como a falta de crédito, levou grande parte da nossa população a sofrer com o empobrecimento, sobretudo no campo, acarretando o êxodo rural e a favelização das cidades, o que consequentemente, tem desembocado na crescente violência e insegurança nos centros urbanos e até mesmo na área rural.
Nosso país ainda é a terra dos contraditórios. Enquanto ocupa o VI lugar no ranking mundial, somos ainda campeões no índice de analfabetismo, mortalidade infantil, desrespeito ao meio ambiente com tudo o que há de mais nojento, desde os desmatamentos, queimadas, contaminação dos solos e das águas por agentes químicos, poluição da atmosfera, etc...
A ganância de poucos concentra riquezas e distribui miséria e exclusão social...
Por outro lado, não podemos negar que há uma preocupação constante com esta realidade. A partir disso, foram surgindo e se firmando algumas tecnologias sociais. Tecnologia social "é todo produto, método, processo ou técnica criados para solucionar algum tipo de problema social com simplicidade, baixo custo fácil aplicabilidade e impacto social comprovado".
Dentre estas Tecnologias, queremos destacar aqui a Tecnologia Social PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), como uma das formas e métodos que podem ajudar às famílias dos agricultores familiares a produzirem um novo modelo de vida no campo e nas cidades.
A Tecnologia PAIS não trata somente de um processo produtivo, sem veneno e sem químicos, mas leva o agricultor familiar a uma nova visão sobre a natureza, o cuidado com o meio ambiente como um todo, atacando em primeira mão a necessidade em relação à segurança alimentar destas famílias, bem como gerando renda e jogando no mercado produtos limpos, sadios e saudáveis...
Este modelo, leva em consideração o re-aprendizado de práticas antigas que garantem o equilíbrio da vida da propriedade sem insumos externos caros e que contaminam e estragam o meio ambiente.
Aliado ao modelo de produção, a Tecnologia PAIS quer despertar também nas famílias de agricultores a necessidade de organização para o gerenciamento dos seus empreendimentos, de forma mais colegiada possível, associativa e cooperada. Este modelo, busca mediar conflitos, superar ganâncias e gerar uma vida mais comunitária, integrada não somente entre as pessoas, mas destas com o meio onde se vive.
Deste modo, a PAIS é "um sistema de produção orgânica de hortaliças, frutas e criação de pequenos animais, dispostos numa mesma área e de forma circular e tendo como pressupostos a racionalização dos recursos" objetivando "a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais e a minimização de energia não renovável".
O técnico Gecinaldo nos mostra um pé de alface orgânico colhido na unidade PAIS
da agricultora familiar, dona Aparecida (Moreno/PE)
Esta tecnologia leva em consideração métodos culturais, biológicos e mecânicos em contraposição à agricultura tradicional que tem ajudado a contaminar os solos, os recursos hídricos e o meio ambiente com o uso de sintéticos/químicos e que utiliza também organismos geneticamente modificados e radiações nos processos produtivos.
A Tecnologia Social PAIS é, pois, uma oportunidade para ajudar no processo de fixação do homem/mulher no campo, de forma sustentável e integrada ao meio ambiente, gerando renda e oportunidades de vida. Por outro lado, este modelo se estende e se ramifica na cidade, na área urbana, levando mais vida, no sentido de um consumo saudável, sem prejuízo à vida.
Encerramento da capacitação em agroecologia, no Assentamento Jussara (Moreno/PE)
Deste modo, queremos incentivar os Gestores Públicos, Ong's, Igrejas, Empresas, Sociedade como um todo a, cada vez mais, disseminar esta Tecnologia Social para que assim, aja mais vida no campo e na cidade.
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